segunda-feira, 20 de maio de 2013

População de Mariana vota pela não reativação da Mina del Rey

Dia 18/05/13 aconteceu a V Conferência Municipal da cidade de Mariana no Centro de Convenções, com o tema "Quem muda a cidade somos nós: reforma urbana já". A Conferência, de acordo com o site da Prefeitura da cidade, "tem como objetivo identificar os problemas enfrentados pelo município no crescimento urbano, e elaborar propostas para a diminuição da desigualdade social e o desenvolvimento funcional, sem degradar a natureza".
Dessa forma, dentro das mesas temáticas organizadas foram elaboradas algumas propostas para votação. Uma das propostas foi a "Proibição da reativação da Mina Del Rey", que foi aprovada por ampla maioria. Tal proposta vai de encontro à problemática das "Cidades Sustentáveis" abordada no evento.
Como tornar-se uma cidade sustentável sem qualidade de vida? Impossível, caso se dê a reativação de uma mina a céu aberto a menos de 2Km do centro da cidade, poluindo o ar, acabando com várias nascentes que abastecem a população de Mariana e também degradando nosso patrimônio cultural, que faz de Mariana uma cidade primaz.
Espera-se que os representantes políticos da cidade de Mariana façam valer a vontade dos cidadãos que, mais uma vez, demonstraram ser contra a reativação da Mina da Del Rey.

Assine a petição "Contra a reativação da Mina Del Rey" no endereço a seguir:
http://www.avaaz.org/po/petition/Contra_a_reativacao_da_Mina_Del_Rey_na_cidade_de_Mariana_Minas_Gerais_Brasil/?eJtYbbb

terça-feira, 23 de abril de 2013

O vale-tudo da Vale: acusações de espionagem e infiltração nos Movimentos Sociais

Um ex-gerente da Vale na gestão de Roger Agnelli chamado André Almeida fez perante a Justiça Trabalhista do Espírito Santo e o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no mês passado, acusações pesadas contra a empresa da qual foi demitido no ano passado, depois de seis anos como funcionário.

Almeida trabalhava no Serviço de Inteligência em Segurança Empresarial da Vale e afirmou à justiça e ao MPF que diretores da empresa mandavam grampear funcionários, obter contas telefônicas de jornalistas e infiltrar pessoas em movimentos sociais.

Almeida se auto-incrimina e diz que ele próprio fez parte do trabalho sujo encomendado.

André Almeida afirmou que pagava os infiltrados no MST, no Movimento Justiça nos Trilhos e participava da instalação de interceptações telefônicas para vigiar funcionários. Segundo ele, até um ex-diretor da empresa foi monitorado. Dados do extrato telefônico de uma jornalista do Valor Econômico foram obtidos em novembro de 2010.

Outras ações clandestinas, disse Almeida, foram executadas por funcionários licenciados da Abin. À justiça e ao MPF, Almeida deu os nomes de dois diretores dos quais recebia instruções sobre quem espionar.

A Vale sustenta que as acusações são infundadas e as atribui ao inconformismo de Almeida por ter sido “demitido por justa causa em função de, dentre outros motivos, ter usado o cartão de crédito corporativo de forma indevida”.  A empresa admite que contratou dois funcionários licenciados da Abin que trabalharam, respectivamente, por 1 e 3 anos na empresa.

A Vale afirma que faz o monitoramento de movimentos como o MST e o Justiça nos Trilhos, mas sem infiltrar pessoas. Nega que teve acesso a imposto de renda e grampos de pessoas e diz que jamais teve acesso a contas telefônicas de jornalistas. No entanto, admite que na gestão Agnelli, fez vários funcionários abrirem mão de seu sigilo telefônico para descobrir quem havia falado com jornalistas que publicaram matérias sobre uma negociação em andamento.

 Por Lauro Jardim

Fonte: Veja edição on-line (20/04/2013)
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/ex-gerente-acusa-vale-de-espionagem/

quinta-feira, 21 de março de 2013

O conto de fadas da "AMIG"


No número de 31 de janeiro deste ano da revista DeFato (editada em Itabira), chamou a atenção uma matéria com o título "Em defesa das cidades mineradoras".

Trata-se na verdade de uma entrevista com Toninho Timbira, prefeito de Santa Bárbara e último presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG).

Toninho declarou em alto e bom som: A Amig, que neste ano comemora seus 24 anos, é uma entidade que nasceu com o firme propósito de defender os interesses dos municípios mineradores na promoção de desenvolvimento sustentável, com geração de investimentos para a melhoria da QUALIDADE DE VIDA e na conquista de recursos para infraestrutura, SAÚDE, EDUCAÇÃO e PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE (obs: grifos do Mariana Viva).

A partir de agora, responde pela entidade ninguém menos que o Sr. Celso Cota, prefeito de Mariana.

Algo será feito pela AMIG no sentido de fazer jus à razão (declarada) da própria existência? Qualidade de vida, bom atendimento à saúde e boa educação pública não são o forte em cidades como Mariana, Catas Altas, Ouro Preto, Santa Bárbara e Congonhas. Se tal entidade existe há mais de duas décadas, então ainda não disse a que veio - basta um passeio pelas cidades citadas para se perceber que elas são talvez o exemplo oposto daquilo que se convencionou chamar de "qualidade de vida". O preço dos aluguéis nestes municípios que o diga.

Esta entidade pode ter sido útil e AMIGA de alguém, mas não da população de Mariana e outras cidades mineradoras.

Mariana e Ouro Preto: boas de arrecadação, ruins em tudo o mais. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica nas escolas municipais (fonte: MEC), receita em 2010 (fonte: site do Tesouro Nacional) e índice de qualidade de vida em 2009 (fonte: FIRJAM).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um poema de Carlos Drummond de Andrade

A montanha pulverizada

Chego à sacada e vejo a minha serra,
a serra de meu pai e meu avô,
de todos os Andrades que passaram
e passarão, a serra que não passa.
Era coisa dos índios e a tomamos
para enfeitar e presidir a vida
neste vale soturno onde a riqueza
maior é sua vista e contemplá-la
De longe nos revela o perfil grave.
A cada volta de caminho aponta
uma forma de ser, em ferro, eterna,
e sopra eternidade na fluência.
Esta manhã acordo e
não a encontro. Britada em bilhões de
lascas deslizando em correia transportadora
entupindo 150 vagões
no trem-monstro de 5 locomotivas
- o trem maior do mundo, tomem nota -
foge minha serra, vai
deixando no meu corpo e na paisagem
mísero pó de ferro e este não passa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Leia a nova carta pastoral de Dom Geraldo Lyrio Rocha, sobre o impacto da expansão mineradora na arquidiocese de Mariana



O crescimento da atividade mineradora e industrial em grande parte da região compreendida pela Arquidiocese de Mariana, com suas múltiplas consequências, motiva a presente declaração, por ocasião da celebração do Jubileu do Senhor Bom Jesus, na cidade de Congonhas. Como Pastor desta porção do rebanho de Cristo, dirijo-me às autoridades, aos empresários e a todos os cidadãos comprometidos com o bem comum, reafirmando, à luz dos princípios éticos e cristãos, a posição da Igreja em defesa da vida, em favor da preservação do meio ambiente e da conservação do nosso patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso. 

Mesmo reconhecendo o progresso, impulsionado em grande parte pelo avanço científico e tecnológico, que gera emprego, renda e recursos econômicos e financeiros, não podemos desconhecer o risco dos impactos causados à qualidade de vida de nosso povo, ao meio ambiente e à preservação de seu precioso patrimônio. Tais impactos são, muitas vezes, ignorados em nome do desenvolvimento econômico. Em sua encíclica Populorum Progressio, dizia o Papa Paulo VI: “o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico e, para ser autêntico, deve ser integral, isto é, deve promover o ser humano todo e todos os seres humanos” (cf. PP 14).

O progresso, portanto, deve ser regulado não apenas pelas leis da economia e do mercado, mas também por princípios éticos e morais que permitam um desenvolvimento sustentável, com responsabilidade social. Toda atividade mineradora e industrial deve ter como parâmetro o bem estar da pessoa humana, buscando a superação dos impactos negativos sobre a vida em todas as suas formas e a preservação do planeta, com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e ao uso responsável das riquezas naturais. É preciso empregar todos os esforços para manter viva a natureza, preservar os mananciais e as nascentes, garantir o habitat dos seres vivos e defender as espécies ameaçadas de extinção. Com sabedoria ensina-nos o Papa João Paulo II: “A programação do desenvolvimento econômico deve considerar atentamente a necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis” (cf. SRS, n. 26). Além da defesa do meio ambiente, é de fundamental importância que se garanta o respeito à vida humana em todas as suas dimensões e em todas as suas fases, desde a concepção até o seu término natural, e se promova a “ecologia humana”, conforme a expressão do Papa João Paulo II.

Diante dos grandes investimentos econômicos que transformam várias cidades desta Arquidiocese, os cidadãos, por meio de mecanismos de controle social, como os conselhos municipais, têm direito a reivindicar melhorias sociais e ambientais, a cobrar medidas eficazes que atendam às prioridades defendidas pela comunidade, a exigir que os impostos sejam devidamente aplicados em sua finalidade e a lutar por medidas que garantam o respeito à dignidade de todos, com especial atenção aos trabalhadores e suas famílias. Preocupa-nos, de modo particular, a situação das famílias forçadas a deixarem suas casas e suas terras (às vezes sem receberem indenização justa) ou atraídas pela ilusão do dinheiro da desapropriação. Para defender a vida, medidas urgentes precisam também ser tomadas em relação às condições das rodovias e à segurança no trânsito, especialmente nessa região.

A Igreja Católica é depositária e guardiã de enorme parte do patrimônio histórico e artístico do Brasil, cuja preservação é responsabilidade de todos. Na cidade de Congonhas, a Arquidiocese de Mariana é proprietária de importantes obras reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, entre as quais se incluem as capelas dos passos, as estátuas dos profetas, o Santuário do Senhor Bom Jesus com seu entorno e a Praça dos Romeiros. A Igreja tem consciência da importância histórica, artística e cultural desse acervo, e reafirma que se trata, antes de tudo, de autêntico patrimônio religioso, expressão de fé daqueles que edificaram esse lugar sagrado, espaço privilegiado de manifestações da devoção e piedade de nosso povo e dos numerosos romeiros vindos de tantas partes de Minas Gerais, de outros Estados e do exterior. A utilização desse espaço não é incompatível com a atividade turística, desde que sejam respeitadas suas finalidades originais e sua destinação religiosa. A Arquidiocese de Mariana, atenta ao desenvolvimento dessa região, reafirma que a atividade industrial e a exploração mineradora devem respeitar esses bens culturais e contribuir para sua conveniente preservação.

Por intercessão de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, imploramos ao Senhor Bom Jesus que derrame suas bênçãos sobre todos nós e nos ajude a promover a vida, a preservar o meio ambiente, a proteger o patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso de Congonhas e demais municípios desta bela e rica região de nosso Estado, dom de Deus e obra da criação humana.

Congonhas, 14 de setembro de 2012
Jubileu do Senhor Bom Jesus

Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano