Um ex-gerente da Vale na
gestão de Roger Agnelli chamado André Almeida fez perante a Justiça
Trabalhista do Espírito Santo e o Ministério Público Federal do Rio de
Janeiro, no mês passado, acusações pesadas contra a empresa da qual foi
demitido no ano passado, depois de seis anos como funcionário.
Almeida trabalhava no Serviço de Inteligência em Segurança
Empresarial da Vale e afirmou à justiça e ao MPF que diretores da
empresa mandavam grampear funcionários, obter contas telefônicas de
jornalistas e infiltrar pessoas em movimentos sociais.
Almeida se auto-incrimina e diz que ele próprio fez parte do trabalho sujo encomendado.
André Almeida afirmou que pagava os infiltrados no MST, no Movimento
Justiça nos Trilhos e participava da instalação de interceptações
telefônicas para vigiar funcionários. Segundo ele, até um ex-diretor da
empresa foi monitorado. Dados do extrato telefônico de uma jornalista do
Valor Econômico foram obtidos em novembro de 2010.
Outras ações clandestinas, disse Almeida, foram executadas por
funcionários licenciados da Abin. À justiça e ao MPF, Almeida deu os
nomes de dois diretores dos quais recebia
instruções sobre quem espionar.
A Vale sustenta que as acusações são infundadas e as atribui ao
inconformismo de Almeida por ter sido “demitido por justa causa em
função de, dentre outros motivos, ter usado o cartão de crédito
corporativo de forma indevida”. A empresa admite que contratou dois
funcionários licenciados da Abin que trabalharam, respectivamente, por 1
e 3 anos na empresa.
A Vale afirma que faz o monitoramento de movimentos como o MST e o
Justiça nos Trilhos, mas sem infiltrar pessoas. Nega que teve acesso a
imposto de renda e grampos de pessoas e diz que jamais teve acesso a
contas telefônicas de jornalistas. No entanto, admite que na gestão
Agnelli, fez vários funcionários abrirem mão de seu sigilo telefônico
para descobrir quem havia falado com jornalistas que publicaram matérias
sobre uma negociação em andamento.
Por Lauro Jardim
Fonte: Veja edição on-line (20/04/2013)
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/ex-gerente-acusa-vale-de-espionagem/
terça-feira, 23 de abril de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
O conto de fadas da "AMIG"
No número de
31 de janeiro deste ano da revista DeFato (editada em Itabira),
chamou a atenção uma matéria com o título "Em defesa das
cidades mineradoras".
Trata-se na verdade de uma entrevista com
Toninho Timbira, prefeito de Santa Bárbara e último presidente da
Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG).
Toninho
declarou em alto e bom som: A Amig, que neste ano comemora seus
24 anos, é uma entidade que nasceu com o firme propósito de
defender os interesses dos municípios mineradores na promoção de
desenvolvimento sustentável, com geração de investimentos para a
melhoria da QUALIDADE DE VIDA e na conquista de recursos para
infraestrutura, SAÚDE, EDUCAÇÃO e PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
(obs: grifos do Mariana Viva).
A partir de
agora, responde pela entidade ninguém menos que o Sr. Celso Cota,
prefeito de Mariana.
Algo será feito pela AMIG no sentido de fazer jus à razão
(declarada) da própria existência? Qualidade de vida, bom atendimento à saúde e boa educação pública não são o forte em cidades como Mariana, Catas Altas, Ouro Preto, Santa Bárbara e Congonhas. Se tal entidade existe há mais de duas décadas,
então ainda não disse a que veio - basta um passeio pelas cidades
citadas para se perceber que
elas são talvez o exemplo oposto daquilo que se convencionou chamar
de "qualidade de vida". O preço dos aluguéis nestes municípios que o diga.
Esta entidade
pode ter sido útil e AMIGA de alguém, mas não da população de
Mariana e outras cidades mineradoras.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Um poema de Carlos Drummond de Andrade
A
montanha pulverizada
Chego
à sacada e vejo a minha serra,
a
serra de meu pai e meu avô,
de
todos os Andrades que passaram
e
passarão, a serra que não passa.
Era
coisa dos índios e a tomamos
para
enfeitar e presidir a vida
neste
vale soturno onde a riqueza
maior
é sua vista e contemplá-la
De
longe nos revela o perfil grave.
A
cada volta de caminho aponta
uma
forma de ser, em ferro, eterna,
e
sopra eternidade na fluência.
Esta
manhã acordo e
não
a encontro. Britada em bilhões de
lascas
deslizando em correia transportadora
entupindo
150 vagões
no
trem-monstro de 5 locomotivas
-
o trem maior do mundo, tomem nota -
foge
minha serra, vai
deixando
no meu corpo e na paisagem
mísero
pó de ferro e este não passa.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Leia a nova carta pastoral de Dom Geraldo Lyrio Rocha, sobre o impacto da expansão mineradora na arquidiocese de Mariana
O crescimento da atividade
mineradora e industrial em grande parte da região compreendida pela
Arquidiocese de Mariana, com suas múltiplas consequências, motiva a
presente declaração, por ocasião da celebração do Jubileu do
Senhor Bom Jesus, na cidade de Congonhas. Como Pastor desta porção
do rebanho de Cristo, dirijo-me às autoridades, aos empresários e a
todos os cidadãos comprometidos com o bem comum, reafirmando, à luz
dos princípios éticos e cristãos,
a posição da Igreja em defesa da vida, em favor da preservação do
meio ambiente e da conservação do nosso patrimônio histórico,
artístico, cultural e religioso.
Mesmo reconhecendo o progresso, impulsionado em grande parte pelo avanço científico e tecnológico, que gera emprego, renda e recursos econômicos e financeiros, não podemos desconhecer o risco dos impactos causados à qualidade de vida de nosso povo, ao meio ambiente e à preservação de seu precioso patrimônio. Tais impactos são, muitas vezes, ignorados em nome do desenvolvimento econômico. Em sua encíclica Populorum Progressio, dizia o Papa Paulo VI: “o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico e, para ser autêntico, deve ser integral, isto é, deve promover o ser humano todo e todos os seres humanos” (cf. PP 14).
O progresso, portanto, deve ser regulado não apenas pelas leis da economia e do mercado, mas também por princípios éticos e morais que permitam um desenvolvimento sustentável, com responsabilidade social. Toda atividade mineradora e industrial deve ter como parâmetro o bem estar da pessoa humana, buscando a superação dos impactos negativos sobre a vida em todas as suas formas e a preservação do planeta, com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e ao uso responsável das riquezas naturais. É preciso empregar todos os esforços para manter viva a natureza, preservar os mananciais e as nascentes, garantir o habitat dos seres vivos e defender as espécies ameaçadas de extinção. Com sabedoria ensina-nos o Papa João Paulo II: “A programação do desenvolvimento econômico deve considerar atentamente a necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis” (cf. SRS, n. 26). Além da defesa do meio ambiente, é de fundamental importância que se garanta o respeito à vida humana em todas as suas dimensões e em todas as suas fases, desde a concepção até o seu término natural, e se promova a “ecologia humana”, conforme a expressão do Papa João Paulo II.
Diante dos grandes investimentos econômicos que transformam várias cidades desta Arquidiocese, os cidadãos, por meio de mecanismos de controle social, como os conselhos municipais, têm direito a reivindicar melhorias sociais e ambientais, a cobrar medidas eficazes que atendam às prioridades defendidas pela comunidade, a exigir que os impostos sejam devidamente aplicados em sua finalidade e a lutar por medidas que garantam o respeito à dignidade de todos, com especial atenção aos trabalhadores e suas famílias. Preocupa-nos, de modo particular, a situação das famílias forçadas a deixarem suas casas e suas terras (às vezes sem receberem indenização justa) ou atraídas pela ilusão do dinheiro da desapropriação. Para defender a vida, medidas urgentes precisam também ser tomadas em relação às condições das rodovias e à segurança no trânsito, especialmente nessa região.
A Igreja Católica é depositária e guardiã de enorme parte do patrimônio histórico e artístico do Brasil, cuja preservação é responsabilidade de todos. Na cidade de Congonhas, a Arquidiocese de Mariana é proprietária de importantes obras reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, entre as quais se incluem as capelas dos passos, as estátuas dos profetas, o Santuário do Senhor Bom Jesus com seu entorno e a Praça dos Romeiros. A Igreja tem consciência da importância histórica, artística e cultural desse acervo, e reafirma que se trata, antes de tudo, de autêntico patrimônio religioso, expressão de fé daqueles que edificaram esse lugar sagrado, espaço privilegiado de manifestações da devoção e piedade de nosso povo e dos numerosos romeiros vindos de tantas partes de Minas Gerais, de outros Estados e do exterior. A utilização desse espaço não é incompatível com a atividade turística, desde que sejam respeitadas suas finalidades originais e sua destinação religiosa. A Arquidiocese de Mariana, atenta ao desenvolvimento dessa região, reafirma que a atividade industrial e a exploração mineradora devem respeitar esses bens culturais e contribuir para sua conveniente preservação.
Por intercessão de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, imploramos ao Senhor Bom Jesus que derrame suas bênçãos sobre todos nós e nos ajude a promover a vida, a preservar o meio ambiente, a proteger o patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso de Congonhas e demais municípios desta bela e rica região de nosso Estado, dom de Deus e obra da criação humana.
Congonhas, 14 de setembro de 2012
Jubileu do Senhor Bom Jesus
Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano
Mesmo reconhecendo o progresso, impulsionado em grande parte pelo avanço científico e tecnológico, que gera emprego, renda e recursos econômicos e financeiros, não podemos desconhecer o risco dos impactos causados à qualidade de vida de nosso povo, ao meio ambiente e à preservação de seu precioso patrimônio. Tais impactos são, muitas vezes, ignorados em nome do desenvolvimento econômico. Em sua encíclica Populorum Progressio, dizia o Papa Paulo VI: “o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico e, para ser autêntico, deve ser integral, isto é, deve promover o ser humano todo e todos os seres humanos” (cf. PP 14).
O progresso, portanto, deve ser regulado não apenas pelas leis da economia e do mercado, mas também por princípios éticos e morais que permitam um desenvolvimento sustentável, com responsabilidade social. Toda atividade mineradora e industrial deve ter como parâmetro o bem estar da pessoa humana, buscando a superação dos impactos negativos sobre a vida em todas as suas formas e a preservação do planeta, com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e ao uso responsável das riquezas naturais. É preciso empregar todos os esforços para manter viva a natureza, preservar os mananciais e as nascentes, garantir o habitat dos seres vivos e defender as espécies ameaçadas de extinção. Com sabedoria ensina-nos o Papa João Paulo II: “A programação do desenvolvimento econômico deve considerar atentamente a necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis” (cf. SRS, n. 26). Além da defesa do meio ambiente, é de fundamental importância que se garanta o respeito à vida humana em todas as suas dimensões e em todas as suas fases, desde a concepção até o seu término natural, e se promova a “ecologia humana”, conforme a expressão do Papa João Paulo II.
Diante dos grandes investimentos econômicos que transformam várias cidades desta Arquidiocese, os cidadãos, por meio de mecanismos de controle social, como os conselhos municipais, têm direito a reivindicar melhorias sociais e ambientais, a cobrar medidas eficazes que atendam às prioridades defendidas pela comunidade, a exigir que os impostos sejam devidamente aplicados em sua finalidade e a lutar por medidas que garantam o respeito à dignidade de todos, com especial atenção aos trabalhadores e suas famílias. Preocupa-nos, de modo particular, a situação das famílias forçadas a deixarem suas casas e suas terras (às vezes sem receberem indenização justa) ou atraídas pela ilusão do dinheiro da desapropriação. Para defender a vida, medidas urgentes precisam também ser tomadas em relação às condições das rodovias e à segurança no trânsito, especialmente nessa região.
A Igreja Católica é depositária e guardiã de enorme parte do patrimônio histórico e artístico do Brasil, cuja preservação é responsabilidade de todos. Na cidade de Congonhas, a Arquidiocese de Mariana é proprietária de importantes obras reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, entre as quais se incluem as capelas dos passos, as estátuas dos profetas, o Santuário do Senhor Bom Jesus com seu entorno e a Praça dos Romeiros. A Igreja tem consciência da importância histórica, artística e cultural desse acervo, e reafirma que se trata, antes de tudo, de autêntico patrimônio religioso, expressão de fé daqueles que edificaram esse lugar sagrado, espaço privilegiado de manifestações da devoção e piedade de nosso povo e dos numerosos romeiros vindos de tantas partes de Minas Gerais, de outros Estados e do exterior. A utilização desse espaço não é incompatível com a atividade turística, desde que sejam respeitadas suas finalidades originais e sua destinação religiosa. A Arquidiocese de Mariana, atenta ao desenvolvimento dessa região, reafirma que a atividade industrial e a exploração mineradora devem respeitar esses bens culturais e contribuir para sua conveniente preservação.
Por intercessão de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, imploramos ao Senhor Bom Jesus que derrame suas bênçãos sobre todos nós e nos ajude a promover a vida, a preservar o meio ambiente, a proteger o patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso de Congonhas e demais municípios desta bela e rica região de nosso Estado, dom de Deus e obra da criação humana.
Congonhas, 14 de setembro de 2012
Jubileu do Senhor Bom Jesus
Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
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