segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O verdadeiro "mar de lama" tem origem e endereço: veja imagens do protesto desta segunda-feira em frente à sede da Vale no Rio de Janeiro

Numa demonstração de solidariedade, centenas de pessoas mostraram hoje que a Pior Empresa do Mundo de 2011 (pelo Public Eye Awards) continua merecedora desse título.


Atuação do setor minerário e conivência das autoridades: o verdadeiro "mar de lama".



Mariana pede justiça: para si e todas as localidades atingidas pelo descaso da Samarco, Vale e BHP



É esse o modelo de "desenvolvimento" que queremos?



Ilustração premonitória, quando da escolha da Vale como Pior Empresa do Mundo de 2011.


Um lembrete aos que somente agora acordaram para a urgência da questão ambiental: a expansão irrestrita da mineração (inclusive no interior das zonas urbanas, bem como em áreas de preservação e reservas naturais de água), o sucateamento das instâncias reguladoras e a ameaça de flexibilização da legislação ambiental têm contado com o inteiro apoio não só da "bancada do minério" e dos últimos governos de Minas Gerais, mas também do Governo Federal.

Até quando, Dilma? Até quando, Pimentel?

A tragédia silenciosa: os efeitos da mineração sobre os mananciais de água de Congonhas do Campo. Um minidocumentário de Danilo Siqueira




O impacto sobre a natureza após o desastre de Mariana: o que dizem os especialistas




  • Maurício Ehrlich, professor de geotecnia da Coppe-UFRJ: "Esse resíduo de mineração é infértil porque não tem matéria orgânica. Nada nasce ali. É como plantar na areia da praia de Copacabana". A reconstituição do solo pode levar "até centenas de anos, que é a escala geológica para a formação de um novo solo".

  • Ricardo Coelho, ecólogo da UFMG: "A perda da biodiversidade pode demorar décadas para ser reestabelecida. E isso ainda vai depender de programas montados para esse fim", diz. "Existe ainda a possibilidade de espécies endêmicas [que existem só naquela região] serem extintas."

  • André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi: "Há espécies animais e vegetais ali [no Rio Doce] que podemos considerar extintas a partir de hoje". Ele chama a atenção para o fato de que o rompimento das barragens coincidiu com o período de reprodução de várias espécies de peixes. "É o maior desastre ambiental da história do país".

Folha de São Paulo (15/11/2015)

Como os interesses das mineradoras se impõem aos das comunidades





As mineradoras estão entre os maiores doadores da última campanha eleitoral. Na lista dos cinco maiores setores que contribuíram para a eleição de deputados, elas ocupam o quarto lugar, perdendo apenas para alimentação, bancos e construção. Juntas, doaram R$ 32,7 milhões para os 15 partidos cujos candidatos disputaram uma vaga na Câmara, principalmente por Minas Gerais, Pará e Bahia, maiores estados mineradores do Brasil.

Somente a Vale, que tem participação na Samarco, responsável pela tragédia de Mariana, doou R$ 22,6 milhões (o que faz dela a nona maior doadora da campanha eleitoral de 2014). O levantamento foi feito pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, organização que reúne mais de 100 entidades, e que, desde as eleições de 2012, monitora os financiamentos das mineradoras em todo o país.


O partido que mais arrecadou foi o PMDB, que recebeu R$ 13,8 milhões, seguido pelo PSB (R$ 5,7 milhões), PT (R$ 4,3milhões), PSDB (R$ 3,6 milhões) e PP (R$ 1,7 milhão), praticamente as maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Para Alessandra Cardoso, uma das coordenadoras do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc), entidade que faz parte do comitê, esse financiamento das mineradoras impede que o Congresso Nacional legisle de “forma isenta, com foco no interesse do público, em relação à mineração”. “Espero que esse acidente terrível em Mariana, que causou a morte de diversas pessoas e matou o Rio Doce, uma tragédia socioambiental sem preço e sem precedentes no Brasil, mude a visão do Parlamento sobre a legislação que envolve o setor de mineração”, afirma.

Há tempos, o comitê vem lutando para que deputados financiados pela mineração sejam afastados da comissão que discute na Câmara o novo Código da Mineração, cuja legislação atual é de 1967. De acordo com o estudo do comitê, dos 27 deputados que compõem essa comissão, apenas sete não receberam financiamento eleitoral do setor de mineração. O relator do código, deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), teve 42% de sua campanha em 2014 bancada por empresas ligadas à mineração. A maioria desse montante, veio de doações indiretas repassadas pelos diretórios estadual e nacional do seu partido. Ano passado, ele recebeu R$ 2 milhões em financiamento desse setor, contra R$ 400 mil, em 2010, quando o novo Código da Mineração ainda não estava em tramitação.

O presidente e o vice da comissão que debate o novo código, Gabriel Guimarães (PT-MG) e Marcos Montes (PSD-MG) também receberam doações. Do total arrecadado (R$ 2,4 milhões) por Gabriel Guimarães em 2014, cerca de 20% foi doado por empresas ligadas à mineração. Na campanha anterior, esse montante era de cerca de 5%. Mesmo caso de Montes, que arrecadou cerca de R$ 3,1 milhões, sendo que 20% veio de mineradoras. Na campanha anterior, esse percentual era de 5%.

Um dos integrantes dessa comissão, o deputado federal Guilherme Mussi (PP-SP), teve sua campanha praticamente bancada pela mineração. Do total arrecadado por ele, cerca de 77% foi proveniente de empresas ligadas à mineração. Uma única mineradora, a Indústria Brasileira de Artigos Refratários, localizada no interior de São Paulo, foi responsável diretamente por cerca de 72% do total arrecadado pelo então candidato, cuja campanha custou cerca de R$ 4 milhões. A reportagem não conseguiu contato com os deputados da comissão.

Novo marco regulatório da mineração: à imagem e semelhança das mineradoras

O novo Código da Mineração foi enviado pelo governo federal em 2013 e ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados, mas em fase final.
O relatório final de Quintão já está pronto, mas por causa de divergência ainda não foi votado na comissão especial. Para Alessandra Cardoso, depois do estouro das duas barragens em Mariana, o novo código não pode continuar tramitando do jeito que está, pois, segundo ela, não prevê nenhum tipo de cuidado com a instalação e o monitoramento de minas e de barragens para evitar que fatos como o que ocorrem em Minas se repitam no Brasil. “Espero que Mariana seja um divisor de águas e que abra uma nova forma de discutir a regulamentação da mineração no país”.

(...)

Doações feitas pelas mineradoras aos partidos

PMDB
R$ 13,8 milhões
PSB
R$ 5,7 milhões
PT
R$ 4,3 milhões
PSDB
R$ 3,6 milhões
PP
R$ 1,7 milhão
PCdoB
R$ 1,1 milhão
DEM
R$ 800 mil
Solidariedade
R$ 550 mil
PPS
R$ 400 mil
PSD
R$ 300 mil
PR
R$ 200 mil
PRB
R$ 100 mil
PSL
R$ 100 mil
PTB
R$ 50 mil
PHS
R$ 20 mil
Total
R$ 32,7 milhões

Fonte: Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração

Estado de Minas (15/11/2014). Por: Alessandra Mello

sábado, 14 de novembro de 2015

Samarco finalmente admite que a situação na barragem de Germano é crítica



A Barragem de Germano, a maior do complexo de mesmo nome da Samarco em Mariana, na Região Central do estado, opera com nível de segurança abaixo do recomendável, admitiu ontem a mineradora. O diretor de Projetos e Ecoeficiência da empresa, Maury Souza Júnior, informou que uma das paredes de sustentação da estrutura está com coeficiente de segurança de 1,22, abaixo do que a empresa considera como mínimo, que é 1,30. Segundo ele, são quatro paredes, sendo que o dique principal tem coeficiente de 1,98. O diretor informou que estão sendo feitas intervenções para acrescentar blocos de pedra na contenção da parede afetada, conhecida como Selinha, até que seja alcançado o coeficiente de 1,30. Apesar disso, ele garantiu que a barragem está estável. Posteriormente, as intervenções vão continuar para que os coeficientes das três paredes cheguem a 1,7, por medida de segurança. Além do dique principal, as paredes são Selinha (1,22), Tulipa (1,46) e Sela (1,48).

Segundo o engenheiro geólogo Edézio Teixeira de Carvalho, professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o índice de 1,22 no coeficiente de segurança é muito baixo. “Esse valor é calculado com a relação entre as forças resistentes (que dão sustentação à estrutura) e as forças solicitantes (que fazem pressão sobre ela). O ideal é que esse número seja próximo de 2, sendo que, na minha avaliação, o mínimo para que a barragem esteja segura é a partir de 1,5. Se estão dizendo que esse índice é 1,22, significa uma folga de apenas 22% na relação das forças resistentes e solicitantes”, explicou o especialista. “Se o valor chega a 1, é o perfeito equilíbrio, significa que a barragem está em seu limite, perto de romper”, acrescentou. Valor abaixo disso significa colapso. “O cálculo tem que dar no mínimo 1”, afirmou.


(...) Na manhã de ontem, o prefeito de Mariana, Duarte Júnior, também havia confirmado a existência de uma fissura em uma das três contenções da Barragem Germano. Segundo o prefeito, a estrutura está sendo monitorada 24 horas por dia, com base em cálculos que medem o risco de rompimento. Por enquanto, o governo de Minas não deve enviar equipe ao local, segundo Duarte Júnior. “Qualquer pequena fissura para nós é muito grande”, disse o prefeito, que acrescentou temer que um novo rompimento leve uma enxurrada ainda maior de rejeitos de minério à comunidade de Camargos.

SEM RESPOSTAS: Na quarta-feira, o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, deu entrevista coletiva e se limitou a dizer que as estruturas da barragem estavam estáveis, mas admitiu que foi necessário aumentar seu “grau de segurança”. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deu prazo de 48 horas para que a mineradora apresentasse uma projeção de impactos causados por um eventual rompimento da Barragem do Germano. Além disso, determinou que a empresa relacionasse as ações emergenciais a serem conduzidas no caso de mais um desastre.

As informações ainda não foram repassadas. Restam perguntas ainda sobre as duas estruturas que se romperam, liberando um fluxo de água e lama de 62 milhões de metros cúbicos, equivalente a nove vezes a Lagoa da Pampulha. “Se as duas barragens tinham um corpo geotécnico trabalhando 24 horas, quero saber se foi percebido o erro que resultaria no rompimento e, se foi notada a falha, por que ela não foi sanada a tempo”, avisou Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais (Nucam) do Ministério Público de Minas Gerais. A partir da semana que vem, o promotor de Justiça começa a interrogar, um a um, os funcionários, engenheiros e técnicos envolvidos na operação das minas em questão. No total, entre terceirizados e trabalhadores diretos da Samarco/Vale/BHP Billington, devem ser ouvidas até 15 pessoas.

Estado de Minas (14/11/2015). Por: Guilherme Paranaíba, João Henrique do Vale, Marcelo Faria e Sandra Kiefer

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Trabahadores, ambientalistas, movimentos sociais, estudantes e Igreja de Mariana se mobilizam em favor dos atingidos e pela punição dos responsáveis pela tragédia

Manifestação de representantes do Metabase, professores e alunos da UFOP pela punição dos responsáveis (terça, 10/11/2015)

Celebração na Praça da Sé em memória das vítimas (11/11/2015)

Manifestação realizada em 12/11/2015 na Praça Gomes Freire, com caminhada passando pela Praça Minas Gerais e reunião aberta na Praça da Sé (fotos: Estado de Minas, G1 e participantes)