terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Os exterminadores da paisagem das Gerais

O Pico do Cauê, em Itabira, em 1955...


... e o "Buraco" do Cauê, em Itabira, em foto de 2010.







O símbolo maior de nosso estado sempre foi o das nossas montanhas. Mas a ganância da mineração quer transformar o "buraco" em nosso símbolo. Estes exterminadores do futuro promovem uma verdadeira celebração da feiúra. É isto que você quer para Mariana?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Minas Gerais se organiza e promove ato contra os abusos e crimes ambientais da indústria da mineração

Nesta semana acontece em Belo Horizonte a "Semana Gandarela", em prol da criação do Parque Nacional da Gandarela, e também para discutir os abusos perpetrados pela indústria da mineração e a cumplicidade do governo do Estado. Confira abaixo a programação. O Mariana Viva estará presente!

Clique na imagem para ampliar

Debate:
CONFLITOS COM A MINERAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL DE MINAS GERAIS (quinta-feira, dia 17/11/2011)
Parte 1:     Mapa dos Conflitos com a Mineração em Minas Gerais
                  GESTA/UFMG e NINJA/UFSJ 
                 Geossistema do Quadrilátero Ferrífero e seus Recursos Hídricos
                  Flávio do Carmo (ICB/UFMG) e André Salgado (IGC/UFMG)
Parte 2:     Debate e compartilhamento de Conflitos
Parte 3:     Leitura e aprovação de Carta à População de Minas Gerais

Local: Auditório da Escola de Arquitetura da UFMG
Horário: 18:30h

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vale promove “reunião da transparência” com população de Mariana, mas a falta de transparência permanece

Na noite desta quinta-feira, dia 27 de outubro de 2011, a Vale promoveu um encontro com o que sua acessoria de imprensa chamou de “lideranças” locais. Embora houvesse vários representantes de associações de bairro, nenhum representante da(s) Igreja(s) foi convidado, mesmo após a claríssima carta pastoral de Dom Geraldo Lyrio Rocha de julho passado, condenando a mineração na área urbana de Mariana. Não havia representantes da prefeitura. Os dois únicos vereadores presentes, Aída e Juliano mostram ser contra a mina. Aída disse que os efeitos negativos da presença da Vale na cidade (principalmente na área da saúde) são maiores que os positivos. Nas palavras textuais de Juliano Duarte, por nós registradas: "sou contra a mineração próxima a áreas populosas". Foi notada a ausência do vereador Geraldo Bambu, até pouco tempo um inimigo declarado da reativação da mina.

Qual o saldo da reunião? Nenhum. Em nenhum momento da longa e monótona apresentação de suas ações em “benefício” da cidade, os representantes da empresa fizeram menção de tratar do assunto que verdadeiramente interessa a todos: a Mina del Rey. Somente depois de questionados pelos presentes, seus diretores se dignaram falar da Mina. Se é que “falar” seja a expressão adequada. O discurso previamente decorado continua o mesmo: “o processo de licitação está andando”, “em 2012 saberemos qual será a empresa vencedora”, “somente então teremos uma ideia”, etc. Admitiram, porém, que os mananciais de água do Complexo do Cristal serão “afetados”.

A Vale continua a subestimar a inteligência da população. E tenta esconder o impacto real que este empreendimento terá sobre a saúde e a qualidade de vida dos que aqui moram. Caso não houvesse impacto (impacto negativo!), não teriam quaisquer razões para esta lamentável política de desinformação.
Resumindo, a reunião da “transparência” não teve rigorosamente nenhuma transparência em relação ao atentado que a Vale pretende perpetrar à qualidade de vida da primeira cidade de Minas, a tricentenária Mariana.

A empresa toca adiante seu projeto, escondendo-se por detrás de frases vazias. Ela nada pode dizer de concreto agora, pois sequer há uma empresa licitada... A Vale nada tem a ver com isso... Não é dela a intenção de minerar em área urbana... Quem deverá responder por quaisquer questionamentos não é ela... Enfim, o que a Vale diz é que ela nada tem a ver com tudo isso. E quem quiser, que acredite. Eis aí o “compromisso”, a “responsabilidade social e ambiental”, a “transparência” da Vale.

Informe-se, comprometa-se: quem é a favor da Mina del Rey é contra Mariana. Confira abaixo duas falas dos presentes:



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Deu no site Via Comercial (15/10/2011): Vale leva multa de R$ 50 mil por deixar poeira e rejeitos de minério em BR

  


A mineradora Vale foi autuada em mais de R$ 50 mil nesta sexta-feira (14) por descumprir os padrões de controle e monitoramento atmosférico previstos pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).
Militares da Companhia de Meio Ambiente atenderam a uma denúncia anônima que informava existir alto índice de poeira e rejeitos de minério na BR-356, na altura de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. O local que apresentava maior concentração de rejeitos e poeira era próximo ao Pico de Itabirito, no KM 41 da rodovia federal.
De acordo com o cabo Wenderson Torres, que participou da autuação, foi constatada uma quantidade de poeira e rejeitos de minério na rodovia e na estrada localizada dentro da área da mineradora que ultrapassava os limites permitidos na regulamentação da Feam.
O valor da multa aplicada pela infração ambiental foi de R$ 50.001. A ocorrência será entregue para o Ministério Público de Nova Lima e para a Feam, que devem apurar as irregularidades. A assessoria de imprensa da mineradora Vale foi procurada e não confirmou se a empresa foi notificada oficialmente. 
Fonte: http://www.viacomercial.com.br/2011/10/15/vale-leva-multa-de-r-50-mil-por-deixar-poeira-e-rejeitos-de-minerio-em-br/

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Algumas palavras sobre o “progresso” que a expansão das grandes mineradoras traz para Mariana, ou: pelo elementar direito de ir e vir

As cidades estão cheias de gente. As casas cheias de inquilinos. Os hotéis cheios de hóspedes. Os trens, cheios de viajantes. Os cafés, cheios de consumidores. Os passeios, cheios de transeuntes. As salas dos médicos famosos, cheias de enfermos. Os espetáculos, desde que não sejam muito extemporâneos, cheios de espectadores. As praias, cheias de banhistas. O que antes não era problema, começa a sê-lo quase de contínuo: encontrar lugar.

Nada mais. Há fato mais simples, mais notório, mais constante, na vida atual? Vamos agora puncionar o corpo trivial desta observação, e nos surpreenderá ver como dele brota um repuxo inesperado, onde a branca luz do dia, deste dia, do presente, se decompõe em todo o seu rico cromatismo interior.

Que é o que vemos e ao vê-lo nos surpreende tanto? Vemos a multidão, como tal, possuidora dos locais e utensílios criados pela civilização. Apenas refletimos um pouco, nos surpreendemos de nossa surpresa. Mas quê, não é o ideal?

O teatro tem suas localidades para que se ocupem; portanto, para que a sala esteja cheia. E do mesmo modo os assentos o vagão ferroviário e seus quartos o hotel. Sim; não há dúvida. Mas o fato é que antes nenhum destes estabelecimentos e veículos costumavam estar cheios, e agora transbordam, fica fora gente afanosa de usufruí-los. Embora o fato seja lógico, natural, não se pode desconhecer que antes não acontecia e agora sim; portanto, que houve uma mudança, uma inovação, a qual justifica, pelo menos no primeiro momento, nossa surpresa.

Estas palavras foram escritas por Ortega y Gasset há mais de 80 anos atrás. O sentimento que então invadia o filósofo espanhol era, diz ele, o de “surpresa”. O que seria rigorosamente impossível na Mariana de 2011: nosso sentimento numa cidade em que tudo está “cheio” é de incômodo; às vezes se aproxima de um verdadeiro sufocamento.

O “progresso” de que precisamos talvez seja apenas este: espaço, espaço para respirar o pouco ar que nos resta, o direito mínimo de ir e vir que tínhamos até ontem, e que nos tem sido gradativamente, silenciosamente roubado.